THIAGO VENDRAMINI
Thiago Vendramini lendo um livro em sua estante pessoal

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Intervenções Cognitivo-Comportamentais no Transtorno do Jogo associado às Apostas Esportivas Online

Artigo de Revisão · Thiago Leão Vendramini · PUC-RS · 2026 · 6 min de leitura

Por que escrevi este trabalho

Escrevi este trabalho porque as apostas esportivas online passaram, nas últimas décadas, por uma rápida expansão global, impulsionada pelo avanço das plataformas digitais, pela popularização dos dispositivos móveis e pela ampliação da regulamentação do setor em diversos contextos internacionais. No Brasil, o fenômeno das chamadas “bets” ganhou ampla visibilidade nos últimos anos, acompanhado de forte investimento publicitário e de uma presença cada vez maior no cotidiano esportivo e digital da população. Diante desse cenário, considerei relevante compreender quais estratégias terapêuticas têm demonstrado maior eficácia no manejo clínico do Transtorno do Jogo associado às apostas esportivas online — e foi isso que me levou a revisar a literatura sobre o tema.

A pergunta de pesquisa

O objetivo deste trabalho foi revisar a literatura sobre as intervenções cognitivo-comportamentais utilizadas no tratamento do Transtorno do Jogo associado às apostas esportivas online. A partir desse objetivo geral, defini três objetivos específicos: descrever as principais características clínicas do Transtorno do Jogo associado às apostas esportivas online; identificar as principais estratégias cognitivo-comportamentais utilizadas no tratamento do jogo problemático; e discutir as evidências atuais sobre a eficácia das Terapias Cognitivo-Comportamentais no manejo do transtorno.

Por que esse tema é importante atualmente

A legalização das apostas esportivas está associada ao aumento do envolvimento com jogos de azar e ao crescimento de indicadores relacionados ao comportamento de jogo problemático. No Brasil, dados do Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) mostram que as apostas online passaram a ocupar um espaço cada vez mais significativo no cotidiano da população brasileira, gerando preocupação crescente em relação aos impactos sobre a saúde mental e ao desenvolvimento de padrões patológicos de engajamento.

O Transtorno do Jogo caracteriza-se pela persistência do comportamento de apostar apesar dos prejuízos emocionais, sociais e financeiros associados, pela perda de controle, pelo sofrimento psíquico e pela recorrência do comportamento mesmo diante de consequências negativas. As apostas esportivas online apresentam características específicas que favorecem maior frequência de apostas e maior engajamento contínuo dos usuários — como disponibilidade permanente, apostas em tempo real e facilidade de acesso por dispositivos móveis —, o que ajuda a explicar a forte vulnerabilidade observada entre indivíduos mais jovens e mais expostos ao ambiente digital. Diante desse cenário, torna-se relevante compreender quais estratégias terapêuticas têm demonstrado maior eficácia no manejo clínico do transtorno: as Terapias Cognitivo-Comportamentais vêm sendo descritas como as intervenções com maior suporte empírico para esse tratamento.

Principais conclusões

A partir da análise dos estudos selecionados, a Terapia Cognitivo-Comportamental permanece como a abordagem psicoterapêutica com maior respaldo empírico para o manejo clínico do Transtorno do Jogo, especialmente no que se refere à redução da gravidade dos sintomas, à modificação de distorções cognitivas e à prevenção de recaídas.

Os estudos revisados indicam que estratégias como reestruturação cognitiva, controle de estímulos, manejo dos impulsos, prevenção de recaídas e identificação de gatilhos apresentam resultados relevantes no tratamento do jogo problemático. Intervenções complementares, como a Entrevista Motivacional e as práticas baseadas em mindfulness, também vêm demonstrando potencial contribuição para a melhora da adesão ao tratamento, da regulação emocional e da redução da reatividade impulsiva, especialmente em pacientes ambivalentes ou com dificuldades significativas de autorregulação.

A literatura também evidencia que o Transtorno do Jogo constitui uma condição clínica complexa e multifatorial, frequentemente associada à impulsividade, às recaídas e às dificuldades de controle inibitório — o tratamento não deve se restringir à interrupção do comportamento de apostar, mas contemplar também a compreensão dos fatores cognitivos, emocionais e comportamentais envolvidos na manutenção do transtorno.

Apesar dos resultados favoráveis encontrados na literatura, os estudos analisados apresentam limitações metodológicas importantes, incluindo heterogeneidade entre amostras, diferenças nos modelos de intervenção, dificuldades relacionadas ao acompanhamento longitudinal dos participantes e taxas elevadas de abandono terapêutico. O crescimento recente das apostas esportivas online ainda demanda maior produção científica específica, sobretudo no contexto brasileiro, onde a expansão das plataformas digitais de apostas ocorreu de forma particularmente acelerada nos últimos anos.

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